Rapidinha – “Desespero”

15 Setembro, 2008

- Então, estou afim de ir lá…

- Sério?

-Seríssimo…

- Fazer o que?

- Conhece-la, conversar. fazer as minhas doidices românticas

- Tá e dai? você acha que ela vai gostar?

- Acho que sim

- Acho que ela vai te achar um louco, vai ficar com medo de você e chamar a polícia

- hehehehehe, como você é exagerada…. Eu só estou afim de ve-la… paixãozinha relâmpago… e vai que eu encontro a mulher da minha vida

- Sei… deixa de ser desesperado

- Você acha?

- Lógico, não vou nem falar…

- Melhor, ela pode vir ai…

- E vai te achar um maluco… de pedra, Nossa que desespero

- Cada um com as suas…

Cicatrizes, Ligeti, domingo

15 Setembro, 2008

Inspirado numa das ideáis de Learning to love you more, da Miranda July.

http://www.learningtoloveyoumore.com/

11. Fotografe uma cicatriz e fale sobre ela.

A Miranda July fez um dos filmes mais lindinhos que eu já vi, “Eu, você e todos nós”. E quando digo lindinho não quero dizer água com açúcar hollywoodiano. Falo de um filme realmente bonito, poético que nos faz crer em sentimentos que eu, como homem, não deveria expressar em público…. Mas não estou aqui para falar do filme… e sim da cicatriz…

Essa cicatriz foi feita há muito… Eu tinha a idade que meu filho tem hoje. Só eu que tinha muitos amigos na rua onde morava, parece que no passado existia mais ciranças…

A gente gostava de brincar de soldado e montar esconderijos, quartéis, bunkers (não conheciamos esse termo na época) e a viagem ia sempre longe. Hoje eu sinto saudade de ter a imaginação que eu tinha naquela época… a Imaginação não, é mais que isso. A gente quase que acreditava nas brincadeiras… era uma imersão total. Uma entrega ao faz de conta, impossível para mim hoje em dia… Não que eu não viva um faz de conta…. mas aquele era mais alegre, mais divertido e mudava todo dia…

A cicatriz… eu lembro exatamente de como ela foi feita. Já estava escurecendo… A gente se escondia em nossa base. O Inimigo estava por perto, a tensão também…. de repente o inimigo aparece, derrubando tudo… eu tomei um puta susto… saí da base correndo e ao passar entre duas paredes de fibra de alguma coisa me cortei… não doeu… nem lembro se sangrou muito… mas a cicatriz ficou… uma cicatriz de guerra, eu poderia dizer…

Hoje essa cicatriz está meio escondida, quase nunca é lembrada, menos ainda percebida pelos outros… Ninguém nunca pergunta dessa cicatriz…. tão legal ela, perto do pulso… sugere perigo, gravidade… atentado… mas não, ninguém sabe que existe… porém eu tenho muito carinho por ela…

Adorei esse exercício…. [aquele site é bem mais interessante do que os "use filtro solar" da vida (na contra, é legal tb)]

Agradeço a todos as pessoas que entram no meu blog, que lêem e que deixam comentários. Eu às vezes leio outros blogs, mas quase nunca comento.

 Não o faço, geralmente, por um dos dois motivos:

1-     nunca acho que tenho nada de pertinente a ser dito

2-     Por preguiça

 Mas adoro quando recebo um comentário, que eu quase sempre respondo…

:-\

 

Esses dias conheci a R. e foi legal que isso tenha acontecido. Gosto de conhecer pessoas novas, principalmente por meio deste blog, que quando foi criado era pra ser anônimo e que eu tinha certeza que, no meio de bilhões de blog mundo afora ele permaneceria anônimo e escondido por muitos anos….

 E assim ele ficou, até que eu resolvi sair do blogspot e ir para o WordPress, e ai conheci a B. (de quem eu imito esse jeito carinhoso/discreto de falar das pessoas) e outras pessoas começaram a aparecer e o resto é história.

 Pois bem, agora eu que eu já conheço 2 leitoras, (tinha a Rebecca mas ela cansou e se foi…) eu começo a sentir uma certa pressão…

 Uma pressão de escrever com mais regularidade, de não espantar de tédio as minhas (meus) leitora(e)s que aparecerem… Eu sei que vocês, amadas que são, vão falar pra eu deixar de bobagem, que vocês gostam de mim do jeito (preguiçoso) que eu sou… mas não adianta… eu não vou acreditar em vocês… hehehehe

 Pois bem, eu acredito que tudo o que eu escrevo de melhor eu o faço como não sendo eu que escrevo, melhor ainda quando não sou que escrevo nem sou eu quem sente aquilo que eu sinto e que eu escrevo…

 Quando consigo me desprender a ponto de “ALGO” sentir e escrever por mim acredito que chego aos melhores resultados…

 Lendo o livro que dá título a este post fui apresentado a uma metáfora linda… Uma folha de bambu no inverno acumula a neve sobre si até que, em um determinado momento, a folha se dobra e a neve cai… Não é a folha que derruba a neve, ela deixa cair….

 É isso que eu tento fazer, deixar o texto “cair”…. é lógico que hoje eu estou longe disso. Pois estou agora estou derrubando a neve, a minha intenção não está desprendida… eu estou escrevendo sabendo que alguém vai ler… não é o intuito…

 Deixar cair é um exercício… que deve ser praticado, diariamente. Me falta disciplina para isso…

  

* título de um livro de Eugen Herrigel 

 Eugen Herrigel foi um filósofo alemão que sempre sentiu atração pelo misticismo e filosifa oriental. Certa vez foi convidado para dar aulas na universidade imperial de Tohoku, no Japão e lá decidiu fazer aulas de tiro com arco tradicional japonês (Kiudo), acreditando esta arte ser um caminho para melhor entendimento dos ensinamentos Zen